HISTÓRIA DA ENTIDADE
A Associação Emeene de Santos nasceu da necessidade de algumas mães moradoras da região da zona Noroeste de terem acesso à uma creche que funcionasse pelo período de 12 horas ininterruptas.
As creches municipais começam seu expediente às 7 da manhã e terminam às 17 horas. Esse fato não leva em consideração as características da comunidade onde elas estão inseridas. Qualquer mulher trabalhadora que cumpra uma carga horária semanal de 40 horas semanais entra às 8 e sai do trabalho às 18 horas. É impossível, portanto, que a mãe possa buscar sua criança na creche às 17 horas. As mães que moram na zona Noroeste da cidade e trabalham em qualquer outro bairro, perdem pelo menos 2 horas do seu dia no deslocamento, indo ou vindo do trabalho. O nosso dia a dia deve atender às expectativas da população em geral, mormente uma entidade que se proponha a atender as mães e chefes de família em horário adequado ao que rege a própria CLT.
Assim acreditando surgiu uma proposta inovadora, em consonância com os anseios da população de nossa região. Com a união de pensamentos e boa vontade de todas as mães, pedagogas e professoras e mulheres da comunidade criamos o Educacional Mundo Novo. Mantido pela Associação Mundo Novo, tem o diferencial de abranger um período que nenhuma outra entidade se propõe: as mães passaram a ter uma creche que funcionou de 2006 a 2010 por 12 horas diáarias, durante quase o ano inteiro, deixando as mães tranqüilas para desempenharem suas funções profissionais seguras de que seus filhos estão sendo bem atendidos. Isso, nos deixava muito orgulhosos, pois nossas crianças nunca chegam mais cedo que suas mães, não tendo mais a necessidade de serem cuidadas por irmãos mais velhos, ou pequenos, vizinhos, avós e outros parentes. Isso também repete a máxima de que a criança não tem obrigação de cuidar de seus irmãos mais novos, e sim estudar, participar de eventos culturais ou simplesmente brincar – serem crianças.
Hoje, a Associação Mundo Novo é dirigida pela sua Presidente, Diretores e Associados e coordenada por uma equipe técnica composta por Coordenadora, Pedagoga, Advogado, Professoras e Educadoras Sociais, e em conjunto definem os projetos, prioridades e metodologias a seguir.
A entidade tem também outro diferencial, que é o liame básico que une o atendimento em educação infantil e às famílias propriamente dito: a creche fecha o mínimo necessário por ano, os projetos atendem aos finais de semana, ou seja, as crianças têm atividades lúdicas e pedagógicas quase 365 dias por ano. Com o tempo, percebemos que trabalhar as crianças e não trabalhar as famílias em parceria com a comunidade, não traz os resultados esperados. A entidade, desde 2005 conta com uma equipe sócio assistencial voluntária, composta de assistente social, psicóloga e advogada, que começou a integrar o trabalho educacional ao sócio assistencial e a partir do momento que a entidade passou a atuar de forma integrada produzimos melhoras significativas tanto nas acrianças atendidas pela creche quanto em suas famílias. Percebemos assim, que a direção para todos os projetos seriam sempre construídos e levando em conta as características dos atendidos e suas reais necessidades.
Como toda a equipe que atua na entidade reside ou mantém laços estreitos na comunidade este parâmetro ficou mais fácil de ser seguido. Juntando a isto a parceria com o poder público no ano de 2007 , por meio de uma Emenda Parlamentar Estadual, no valor de R$50 mil trouxe novos profissionais que deu ao projeto mais dinamismo na solução dos problemas dos atendidos.
A Associação EMEENE DE SANTOS, é uma associação sem fins lucrativos, localizada na região da Zona Noroeste da cidade de Santos , no bairro do Jardim Rádio Clube, o mais populoso com pelo menos 19 mil pessoas ,e faz o atendimento educacional na etapa da Educação Infantil de Creche no período Integral.
A Associação Emeene de Santos está ativa desde 2021, mas o trabalho da Creche Mundo Novo acontece há 17 anos e já atendeu quase 2 mil crianças na Educação Infantil e em outros projetos educacionais, sociais e esportivos. O trabalho com as famílias, muito importante para o resultado com as crianças sempre foi feito junto com a comunidade por meio de oficinas de convivência de cunho informativo e educacional. Nossa diretoria sempre composta por membros da comunidade e voluntários se empenha em promover as mais diversas ações em parceria com o poder público para trazer acolhimento às vulnerabilidades apresentadas pelas famílias das crianças atendidas. Embora o atendimento de creche seja o trabalho mais conhecido pela entidade, vários projetos , atendidos por emendas parlamentares ou simplesmente pelo apoio da comunidade foram e são desenvolvidos pela entidade nestes 17 anos. Pelo nosso trabalho já passaram mais de 2 mil crianças, algumas das quais hoje retornam com seus filhos para pleitear o mesmo atendimento de que se recordam com carinho de terem recebido. A região da Zona Noroeste é uma região periférica com mais 100 mil habitantes, dividida em 12 bairros, abarcando quase 24% da população santista, e é predominantemente voltada para residências, pequenos e médios comércios, que existem em bom número e bem diversificados.
Em termos de estrutura urbana, a região conta com praticamente todas as ruas asfaltadas, uma UPA inaugurada em 2019, Postos de Saúde (Jardim Rádio Clube, Jardim Castelo), escolas estaduais e municipais de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, além de escolas privadas que atendem a Educação Infantil e Ensino Fundamental, CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), um Complexo Poliesportivo (Dale Coutinho) , e um Centro da Juventude. Embora os equipamentos existam nem sempre o atendimento se dá como o esperado.
Infelizmente, parte da população da zona noroeste pode ser considerada muito vulnerável, pois pelo menos 20 mil pessoas ainda residem na maior favela de palafitas da América Latina, o Dique da Vila Gilda.
Estudo divulgado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal estima que 46,7% das crianças de até 3 anos (o equivalente a mais de 5 milhões de crianças) têm necessidade de frequentar a creche em áreas urbanas no Brasil. Desse percentual, 23,3% são de famílias pobres, 20,7% são filhos de mulheres que trabalham ou trabalhariam fora de casa se houvesse vaga em creche e 2,7% são de famílias monoparentais.
Segundo a pesquisa sobre os desafios de acesso a creches no Brasil feita pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, entre os 25% mais pobres apenas 26% das crianças até 3 anos estão na creche, enquanto dos 25% mais ricos 55% estão matriculados nesta etapa.
Em Santos não temos estudos específicos que permitam avaliar as os diferentes tipos de necessidades das famílias em relação à vagas de creche, mas levam em consideração características diversas de vulnerabilidade como pobreza, monoparentalidade e riscos ambientais.
Podemos afirmar, que segundo o ultimo Censo, boa parte dos moradores desta região ou ganham até 3 salários mínimos ou menos, boa parte dos atendidos vivem em moradias precárias , chamadas palafitas, expostos a vulnerabilidades ambientais e sociais, devendo portanto serem priorizados no objetivo e desafio da educação e do desenvolvimento infantil: combater a desigualdade de oportunidades, focalizando nos segmentos populacionais que mais precisam.
